Mulher Caçando no GeloAo contrário do que acontecia no passado, a caça e pesca não são mais os único meio de se buscar alimento. A evolução na agricultura e na pecuária transformou uma sociedade nômade (que se instalava num local, extraia seus recursos e, quando esgotados, iam para outro local) para um a sociedade sedentária (que mora num lugar fixo) que temos hoje. Não é mais necessário sair todos os dias armado, abater um animal e depois preparar para consumo.

No entanto, o gosto por essas práticas não deixou que elas desaparecessem por falta de necessidade: foi criada a caça e a pesca esportiva ou amadora. São áreas que tem ganhado espaço especialmente no Brasil, que anda na contramão do exterior, pois que a caça e a pesca por lazer, lá fora, têm sido controlada com mais rigidez. Isso acontece porque muitas espécies, caçadas legalmente e ilegalmente, acabam entrando na lista de seres em extinção. É bem verdade que a extinção de animais engloba uma série de fatores, como: destruição do habitat natural, contrabando e venda ilegal, caças clandestinas, fatores climáticos, etc. Enfim, são vários fatores a serem levados em consideração.

De qualquer forma, ainda há uma forte cultura de caça e pesca esportiva. Países como Canadá, Estados Unidos e alguns europeus, apesar das leis controlando o ramo, ainda são praticantes dessa categoria. Alguns dados mostram isso: no final da década de 80, havia, em torno de 6,1 milhões de caçadores em países da Europa Ocidental, enquanto nos Estados Unidos, em 1996, havia 14 milhões que praticavam somente a caça. Ainda nos Estados Unidos, no mesmo ano de 96, existiam 35 milhões de praticantes da pesca e 40 mil que caçam e pescavam como forma de lazer.

Outra prova da força dessas áreas no exterior é quantidade de dinheiro que se movimenta nelas. Em 1996, caçadores do estado de Idaho – EUA, gastaram em torno de US$ 436,5 milhões nesse ramo. O investimento foi responsável por mais de seis mil empregos permanentes. Atualmente, os Estados Unidos têm um lucro de, aproximadamente, US$ 25 bilhões por ano.

A pesca apresenta uma realidade parecida com caça em termos de sucesso no exterior. Nos Estados Unidos são gastos, todos os anos, mais de US$ 38 bilhões, dinheiro gasto com ações diretamente ligadas à pesca esportiva. Além disso, o número de pescadores impressiona: são cerca de 37,5 milhões de pescadores praticantes e mais 1,2 milhão de empregos diretos gerados pela atividade.

No Brasil, a pesca esportiva tem uma força expressivamente menor do que seu potencial oferece. Apesar de ainda não demosntrar todo seu potencial, esse ramo tem crescido no país. Estados como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, começaram a ter uma cultura de pesca por lazer. Ligado a isso, o ramo de lojas especializadas nessa área também cresce e, alguns exemplos são lojas como “Martinelli pesca e náutica” (Ribeirão Preto-SP) e “Samburá- caça e pesca”(Caxias do Sul - RS) ambas especializadas em equipamentos para pessoas que praticam a caça e a pesca esportiva. O Brasil já um é destino bastante recomendado para quem pratica a pesca esportiva. Motivos para isso não faltam: são mais de 100 espécies de peixes diferentes encontrados no país. Além de ter uma impressionante variedade de peixes, nosso país ainda se destaca por abrigar milhares de km² de rios. Só para se ter uma ideia, são nove bacias hidrográficas, com destaque para a Amazônica (maior do mundo). Nessa variedade de rios para serem explorados, os destinos preferidos dos pescadores do Brasil, e também de estrangeiros, é o pantanal ( situado no Mato Grosso), e a Amazônia. Outros destinos muito procurados são: Bragança Paulista - SP, Corumbá - MS, Florianópolis - SC, Ilhabela - SP, Luís Alves-TO, Paranaguá - PR, Rio de Janeiro - RJ, Rio Iriri - PA e São Romão - MG.

Para aproveitar o potencial brasileiro, foi criado o Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora (PNDPA). Sua função é fazer com que a pesca esportiva possa contribuir com desenvolvimento social de regiões procuradas para essa prática, além de gerar empregos com a atividade. Também é prioridade desse órgão que a preservação ambiental seja respeitada. Ele recebe apoio de empresas privadas, institutos de pesquisa, do governo, visto que a pesca esportiva tem grande potencial de crescimento, além de outras parcerias

A caça, no Brasil não é muito popular. Chegou-se a liberar a de javalis no Rio grande do Sul, durante um período, mas logo depois o IBAMA vetou essa temporada de caça. Nessa ocasião, ela tinha sido liberada por causa de um aumento descontrolado da população dessa espécie, ameaçando plantações e fazendas da região. Mas a caça é liberada em vários lugares no Brasil. No Paraná e no Rio Grande do Sul, a caça é liberada a caça em períodos do ano pré determinado, respeitando o tempo de reprodução das espécies.

Existe uma grande discussão sobre as questões éticas quando se fala em caça esportiva. Grande parte da população desaprova a prática, pois argumentam que matar um animal por puro esporte seja uma prática bárbara, além do medo que há por parte das pessoas e do IBAMA de levar espécies, existe a possibilidade de extinção. Já o lado que diz respeito à caça, argumenta que a grande parte do mundo que tem a caça legalizada movimenta milhões por ano, e ajuda a controlar a população de algumas espécies.