Desenho CaçaTanto a caça, como a pesca, são práticas que acompanham o homem desde a sua origem. Achados históricos mostram que, mesmo antes de se desenvolver armas “trabalhadas”, ou desenvolver técnicas apuradas de caça e de pesca, essas práticas já eram frequentes e até necessárias. No princípio, a caça e a pesca eram coisas imprescindível para sobrevivência: era, junto à colheita de frutas, a única forma de se obter alimento. Mais tarde, ganhou outros significados, como, por exemplo, o ritual para a passagem da fase da adolescência de meninos para a fase adulta de meninos de alguns povos. Nos dias atuais, não é mais uma forma de sobrevivência, mas a caça, assim como a pesca, ainda existem em ramos como o esportivo e por lazer.

Começando pela história da pesca: o homem sempre precisou estar perto da água para sobrevivência. Locais perto de rios eram os lugares de abrigo desde da época pré-histórica. O homem ainda não tinha conhecimentos sobre agricultura e nem estratégias para capturar animais terrestres. Então, a pesca era praticamente a única forma de alimentação animal. Alguns achados de cascas de ostras e de mexilhões sugerem que, mesmo antes da pesca com equipamentos, o homem colhia moluscos para alimentação.

Segundo cientistas, o período paleolítico (2,5 milhões a.C. até 10.000 a.C.), chamado também de Idade da Pedra Lascada, foi o período histórico que pode ser considerado o início da sofisticação dessas práticas. Como o próprio nome diz, foi a época em que se acharam a primeiras ferramentas “esculpidas” dos homens. Pedras eram batidas em outras, repetitivamente, até criarem pontas ou outros formatos desejados. Daí, nasceram as lanças e, mais tarde, as flechas, primeiras armas trabalhadas dos homens na caça. Antes disso, eram usadas pedras e ossos como instrumentos de caça e pesca. Logicamente, com essa nova tecnologia das armas, foi possível que a caça e a pesca fossem mais efetivas, podendo capturar animais maiores e com menos risco para os humanos durante a caça.

Além desses novos instrumentos de caça, outro evento foi muito importante para o desenvolvimento dessa técnica: a descoberta de manejar o fogo. Os cientistas afirmam que, às baixas temperaturas da terra, obrigavam os homens a se abrigar em cavernas. Com o aprendizado de manipulação do fogo, a qualidade de vida cresceu de forma providencial. Além de terem a possibilidade de se esquentar no frio, deu a possibilidade de começar a consumir animais (peixes e caças terrestres) e vegetais cozidos.

O anzol, instrumento usado até hoje na pesca, foi inventado já no fim da Pré-História, juntamente com as primeiras redes de pesca. Da invenção do anzol para frente, a pesca só iria crescer. Prova disso é que um dos maiores impérios do mundo, o império Romano, é uma fase da história em que a pesca teve um grande salto de popularidade. Se antes a pesca era feita somente por escravos e somente nos lagos, agora o homem iria para o mar, buscar peixes suficientes para abastecer um consumo que só crescia. Nesse período ainda houve o surgimento do Cristianismo, o que resultaria na visão de que o peixe e os alimentos vindos do mar seriam alimentos nobres, o que por sua vez, consolidou a pesca marítima como forma de sobrevivência, tanto para consumo próprio, como forma de emprego.

A evolução da pescaria fez com que outros pontos relativos a isso se sofisticassem também. No Império Romano foi desenvolvida a técnica de conservar peixes em azeite, sendo que a forma dessa conservação era, até então somente com sal. A divisão do que seriam os peixes mais nobres também já estava sendo feita: as classes mais altas consumiam salmão, lagosta e os pescados mais finos, enquanto outras classes consumiam atum salgado e peixes mais simples. No século IV, monges começaram a produzir redes próprias para a pesca marítima, ou seja, com capacidade bem maior do que as redes geralmente usadas.

Já a história da caça se desenvolve de forma semelhante à da pesca: teve o grande salto inicial com o começo da utilização controlada do fogo e com a confecção de instrumentos de pedra lascada. A caça, desde seu princípio, sempre foi uma atividade destinada aos homens. Cabia a eles trazer a caça para a mulher que, então, prepararia e deixaria tudo pronto para o consumo. Tradicionalmente, eram aproveitados, além da carne que era consumida, a pele (como os homens pré-históricos, que tinham de se proteger do frio, e usavam essas peles como roupas) e os ossos ( que serviam para fazer outras armas e objetos de uso geral).

A sobrevivência sempre foi o mais forte motivo para caça. Com o passar do tempo foram adicionando significados à caça. Um desses significados que foram logo inseridos foi a bravura: em sociedades antigas indígenas, os mais bravos da tribo ou povo, eram aqueles que conseguissem capturar o maior ou mais feroz animal. Outros acreditavam que a prova da passagem de adolescente para a fase adulta seria enviar o rapaz para uma caçada só deixá-lo voltar quando conseguisse capturar algum animal feroz. Nesses casos, ou se morria tentado caçar ou se voltava, sendo considerado um homem formado.

Com o passar do tempo, a técnica de cultivar os alimentos, tanto os vegetais como os animais, foram se firmando nas sociedades. A caça então passou a ser uma questão cultural. Países como os Estados Unidos, Inglaterra e Canadá desenvolveram , culturalmente, o hábito de caçar. Mesmo antes, em Roma, a caça passou a ser um espetáculo. O coliseu, entre seus espetáculos, mostrava lutas de escravos contra leões. A Espanha, com sua tourada, mostra uma espécie de caça mais “glamorosa”.

Hoje, a caça virou esporte e um lazer. Foram criadas a pesca e a caça esportiva, onde existe uma área delimitada, com animais dentro e homens vão devidamente armados para caçar os mesmos. Igualmente, a pesca esportiva é feita nos rios e consiste em pescar um peixe, fazer a pesagem e outras formas de registro e depois soltá-lo novamente no mar.